Empresário mexicano dá vida à cerveja favorita de Homer Simpson

Sentada num sofá imitando couro preto, Zaida Hernández conversa com sua amiga Ana no King's Pub, na Cidade do México. O ambiente é pouco iluminado, a música é alta e a oferta especial da noite é de pizza e frozen mojitos, servidos numa ampla taça de martíni.

Mas Hernández, uma estudante de design de rosto redondo, não está tomando nenhum mojito. Ela está bebendo a cerveja Duff Beer, a preferida de Homer Simpson.

"Estávamos buscando algo diferente", disse ela, olhando com atenção o rótulo, que é praticamente o mesmo que aparece nas latas do desenho animado. "Quando alguém oferece Duff para você, acho que você basicamente tem que experimentar."

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É exatamente isso que Rodrigo Contreras, o produtor da Duff Beer da vida real, queria ouvir. Como alguém que trabalha com marketing, Contreras sempre teve olho para uma boa publicidade. O investimento de US$ 140 mil (R$ 242 mil) para montar sua companhia, a Duff, veio dos rendimentos de um livro que ele escreveu sobre Vincente Fox, um ex-presidente do México que é lembrado por tudo o que não conseguiu fazer durante seu governo. O livro, "Tudo o que um grande presidente e um grande homem faz por um grande país", tem 136 páginas em branco.

A primeira vez que Contreras pensou em produzir a cerveja Duff foi em 2002, enquanto assistia aos "Simpsons". "Pensei comigo mesmo inúmeras vezes: 'Alguém deveria fazer isso'", disse. "Então pensei: 'Por que não eu?'"

Uma das razões é a Fox, a gigante da mídia e dona de "Os Simpsons". Num caso que foi relatado no final dos anos 90, a cervejaria Lion Nathan na Austrália foi obrigada a retirar sua Duff Beer do mercado depois que a Fox entrou com uma processo por violação de direitos autorais - embora o produto não tivesse nenhuma semelhança com o da série de TV.

A Fox não confirmou a informação. Quando questionada sobre a Duff Beer de Contreras, a rede disse que não comentaria nenhuma ação legal que poderá ou não tomar. Ela simplesmente afirmou: "'Os Simpsons' são propriedade da Twentieth Century Fox, e a Fox têm os direitos sobre o universo de 'Os Simpsons'. Temos a intenção de proteger nossos direitos."

Contreras insiste que ele contatou a Fox em 2006, e foi ignorado desde então. Ele também alega que contatou a Gracie Filmes, produtora da série. "Eu queria assegurar a eles que eu não era um ladrão e que não queria roubar suas ideias", disse. Ele estava buscando uma parceria mas, sem nenhuma resposta, decidiu levar seus planos adiante.

A cerveja é produzida em Tijuana por uma companhia chamada Simpson's Brewing Company, o que é uma coincidência, enfatiza Contreras.

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Ele diz que as vendas na Europa, onde ele lançou a cerveja, agora variam entre 25 e 30 contêineres por mês - um contêiner comporta 1.716 caixas de 24 garrafas cada - comparado aos seis que vendia quando começou, em 2006.

No México, as vendas aumentaram de dois contêineres por mês, quando ele começou a produção, para cerca de dez no começo deste ano.

Esse crescimento é impressionante, dado que Contreras não gastou quase nada em publicidade. Mas como diz Javier Suarez, gerente do King's Pub: "No momento em que oferecemos aos fregueses a Duff Beer dos Simpsons, eles praticamente arrancam-na das nossas mãos."

Mas a mesma razão para o sucesso da bebida também pode ser um obstáculo. A maioria dos consumidores sabe que a bebida ficcional é uma paródia do tipo de cerveja produzida em massa e encontrada em todo o território dos Estados Unidos. Além disso, seu consumidor mais famoso dificilmente é um modelo de comportamento para a maioria das pessoas. E Contreras admite: "Adoramos Homer, mas não necessariamente queremos ser como ele. Meu maior medo é que as pessoas comprem Duff Beer só uma vez para guardar a garrafa."

Contreras diz que o próximo passo é começar a produzir a Duff em latas, como as que Homer bebe. A ideia é fazer uma produção inicial de 300 mil latas no México. Ele investiu cerca de US$ 400 mil (R$ 691 mil) para colocá-las no mercado, e a cervejaria de Tijuana investiu mais US$ 1,1 milhão (R$ 1,9 milhão). Contreras também pretende estabelecer 35 bares em todo o México onde venderá a cerveja.

Mas o maior prêmio é os Estados Unidos, onde a cerveja está disponível em algumas empresas que a importam do México, mas onde Contreras ainda precisa registrar sua marca.

"Não vou entrar lá antes de saber se eles [a Fox] irão lutar comigo ou se juntar a mim", diz.

Levando em conta o silêncio da Fox, talvez ele tenha que esperar algum tempo.

Tradução: Eloise De Vylder

Materia no UOL que Pegou do Financial Times

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